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ISRC: o que é, por que importa e como obter de forma simples

25/08/2025
Por cbbr

O que é ISRC: o RG definitivo da gravação

O ISRC (International Standard Recording Code) é um código padrão internacional usado para identificar cada gravação de áudio ou videoclipe de forma única, em qualquer lugar do mundo. É o “RG” do fonograma e do videofonograma.

A regra geral é que cada número de código de barras é único, e o mesmo se aplica para o ISRC. Ele identifica uma determinada gravação, e a cada versão da gravação é atribuído o seu próprio ISRC. O código fica gravado (queimado) na gravação.

Ponto-chave: ele identifica a gravação, não a composição.

Uma mesma música pode ter:

  • versão de estúdio
  • versão ao vivo
  • remix
  • acústico
  • clipe oficial, lyric video, making of

Cada uma dessas versões é uma gravação diferente e, portanto, tem seu próprio ISRC.

O código tem 12 caracteres e embute três informações essenciais: país onde foi gerado, quem é o produtor fonográfico, em que ano aquele código foi atribuído e o número sequencial.

Uma vez gravado, O ISRC permite ao usuário acompanhar as vendas, quando está tocando em uma estação de rádio e até mesmo quando está tocando em um local físico, como em clubes ou bares. O código também é usado por sociedades de direitos autorais para rastrear o uso para o pagamento de royalties.

ISRCs estão sendo cada vez mais utilizados pelos principais sites de download, empresas de distribuição digital e sociedades de gestão coletiva como uma ferramenta para gerenciar repertório digital e controlar o comércio.

Quem pode gerar esse código e como obter na prática

O responsável por gerar e cadastrar o ISRC é o Produtor Fonográfico: a pessoa física ou jurídica que arcou financeiramente com a gravação.

Pode ser:

  • o próprio artista independente;
  • uma empresa criada pelo artista ou equipe;
  • um selo;
  • uma gravadora;
  • qualquer pessoa ou empresa que bancou a produção e detenha os direitos fonográficos.

Esse produtor fonográfico:

  • pode ser pessoa física ou jurídica;
  • precisa se cadastrar como produtor fonográfico na entidade escolhida;
  • recebe autorização (prefixo/código) para gerar ISRC de seus fonogramas e videofonogramas;
  • registra cada gravação com dados completos: título, duração, intérprete, músicos, autores, produtor, tipo de gravação, data, etc.

Na prática, hoje os caminhos mais comuns são:

1. Prefixo próprio como produtor fonográfico

Quem assume esse papel:

  • se cadastra como produtor fonográfico numa entidade habilitada;
  • obtém o prefixo;
  • gera os ISRCs de cada gravação;
  • mantém um controle organizado do catálogo.

Vantagem: controle total sobre os códigos e consistência no longo prazo.

2. Uso de distribuidoras e agregadoras digitais

Muitas distribuidoras oferecem geração automática de ISRC no envio das faixas. Funciona bem, com alguns cuidados:

  • garantir que o código venha de sistema autorizado;
  • usar o mesmo ISRC em todos os envios daquela gravação;
  • cadastrar o fonograma nas entidades de gestão, vinculando esse código;
  • se futuramente tiver prefixo próprio, alinhar a estratégia para não bagunçar o histórico.

Em alguns casos, valores de execução pública podem ficar retidos enquanto o cadastro não é regularizado. Se o artista demora demais para ajustar ISRC e fonograma, corre risco de perder parte dessa grana por prescrição. Então organizar isso cedo não é frescura: é blindagem financeira.

Em qualquer cenário, a lógica é sempre:

ISRC correto + cadastro completo = base real para receber.

Um ISRC é composto de 12 caracteres e dividido em quatro seções:

isrc

BR – A01 – 16 – 90222

  1. Os dois primeiros caracteres identificam o país onde o membro está localizado (por exemplo, “BR” representa o Brasil) .
  2. Os próximos três caracteres (A01, também chamado de código do registrante) identificam o titular do direito de gravação. Essas três letras e números servem para cada gravação e eles são específicos para os direitos do proprietário. No entanto, ter um código ISRC não implica a propriedade sobre uma gravação particular – se a gravação é passada mais tarde para um novo proprietário, o código não vai mudar.
  3. Os próximos dois caracteres identificam o ano de referência em que foi dado um código ISRC a uma gravação específica.
  4. Os últimos cinco caracteres (código de rastreamento)são a escolha do titular quando da atribuição de gravações com um ISRC. Estes caracteres são sempre números. A maneira mais fácil de organizar esta seção do código é dar a primeira parta da gravação ‘00001’ , a segunda ‘00002’, etc.

Alguns detalhes importantes:

  • O ISRC é permanente: acompanha aquela gravação por toda a vida, mesmo que o titular dos direitos mude.
  • Um código não pode ser reutilizado em outra gravação.
  • Ele vale para qualquer formato: físico, digital, streaming, rádio, TV, plataformas de vídeo.
  • Pode ser aplicado também a gravações antigas, ajudando a organizar catálogo e habilitar monetização.

Em resumo: é infraestrutura da carreira. Sem ele, o rastreio é fraco; com ele, a indústria sabe o que foi tocado e para quem pagar.

Mas será que você realmente precisa desse código para suas gravações?

Todo mundo que lança música hoje esbarra nas mesmas dúvidas:

  • “Se minha faixa toca no Spotify, rádio, TV, YouTube ou no bar da esquina, como esse dinheiro volta pra mim?”
  • “Esse tal de ISRC é obrigatório mesmo ou é só mais burocracia?”
  • “Sou independente, uso distribuidora digital, ela resolve tudo ou preciso de algo a mais?”

Para tirar dúvidas se o ISRC vale a pena ou não para você, dê uma olhada não nos prós e contras no vídeo abaixo:

Tecnicamente, não. Se você estiver gravando faixas para uso pessoal ou para criar uma gravação demo ou ensaio, não é necessário que você adquira um código ISRC.

Se você estiver querendo acompanhar as vendas e quando sua gravação é tocada em rádios, um código ISRC é, com certeza, altamente recomendado. E, tipicamente, você irá só gravar (queimar) o código na versão final da sua música.

Tenha em mente que estes códigos não fazem rastreamento de inventário, como em CDs, se você pretende vender a um nível de varejo – varejistas precisam que você consiga um código de barras UPC ou EAN normal, a fim de que você possa vender o seu CD em suas lojas.

No entanto, isso é completamente diferente e irá acompanhar as vendas de seu CD físico uma vez que cada unidade for escaneada no momento do checkout (finalização de compra).

Perguntas comuns, ajustes finos e boas práticas sobre o ISRC

1. Produtor fonográfico precisa ser empresa?
Não necessariamente. Pode ser pessoa física ou jurídica. O que manda é: quem pagou e responde pela gravação. Muitos artistas independentes atuam como produtores fonográficos do próprio catálogo.

2. Distribuidora gerou o ISRC. Posso usar assim mesmo?
Pode. Se a distribuidora é séria, o código é válido. O ponto é:

  • guardar esse ISRC;
  • usar o mesmo em todas as plataformas;
  • conectar esse código ao cadastro do fonograma nas entidades de gestão.

3. Uma gravação pode ter dois ISRCs diferentes?
A mesma gravação, não. ISRC é único, fixo e permanente para aquele fonograma.
Já versões diferentes (remix, live, acústico, nova gravação, clipe etc.) precisam de ISRC próprio.

4. Posso mudar o ISRC depois do lançamento?
Evite. Trocar sem critério pode quebrar estatísticas, confundir plataformas e prejudicar pagamentos. O ideal é planejar antes de lançar: definiu o código, cadastrou certo, mantém.

5. Lancei sem ISRC. Dá para corrigir?
Em lançamentos digitais, muitas vezes é possível ajustar via relançamento ou suporte da distribuidora. Em execução pública, valores podem ficar retidos até regularização. Quanto mais rápido organizar ISRC e cadastro, menor o risco de perder dinheiro.

6. ISRC substitui o registro da obra?
Não. ISRC é identificação da gravação. Registro de composição é outro processo. Os dois se complementam: obra protegida + gravação identificada = cadeia de direitos mais clara.

O que diferencia quem ganha de quem perde com ISRC?

Três atitudes simples:

  1. Clareza de papéis
    Saber quem é o produtor fonográfico de cada faixa e formalizar isso.
  2. Organização de metadados
    Nome correto de música, artistas, participantes, splits, ano, versão, tudo alinhado com o ISRC correspondente.
  3. Cadastro nos lugares certos
    Não deixar o ISRC “escondido” só no arquivo de áudio. Ele precisa aparecer em plataformas, cadastros de fonograma e sistemas de gestão de direitos.

Quando o artista, selo ou produtora trata o ISRC como parte do negócio — e não como burocracia deixada para depois — cada lançamento passa a construir catálogo, histórico e receita de forma consistente.

Então, se você precisa de um código ISRC, como você vai fazer para adquirir um?

Você terá que comprar os códigos da Agência Nacional ISRC do seu país. No Brasil é chamado SISRC, você provavelmente terá que pedir para se tornar membro da agência Abramus http://www.abramus.org.br/musica/720/isrc/.

Uma vez que esta adesão for aprovada, você será capaz de atribuir códigos ISRC a gravações a um custo específico, e terá de renovar essa taxa anualmente, a fim de continuar a usar os códigos – independentemente de quantos códigos você usou para um ciclo particular.

Se você é apenas um compositor ou artista, sem a intenção ou experiência no acompanhamento de vendas de CDs e acompanhamento de quando sua gravação estiver tocando em rádios, existem gestores dentro da agência que podem lhe ajudar a lidar com essa responsabilidade para você.

Ganhar dinheiro na indústria da música pode ser complexo, mas o primeiro passo para acompanhar quando tocarem sua música em uma plataforma digital ou rádio, bem como as vendas, é através da aquisição de um código ISRC.

Embora a Códigos de Barras Brasil não possa emitir esses códigos, nós esperamos que esta publicação tenha sido útil na obtenção de algumas informações sobre este código relativamente desconhecido aí fora. Mas é claro, não hesite em nos visitar para conseguir um código de barras para o seu CD físico!

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